DISLEXIA DE LEITURA
NOSSA DES-CONHECIDA
Sou professora de Filosofia no
Ensino Médio e em minha experiência no magistério tenho encontrado diversos
alunos com dificuldades no campo da leitura e interpretação. Tenho a preocupação de como mediar o
conhecimento com alunos que apresentam esta dificuldade ou resistência, pois
referem que não gostam ou não compreendem o que leem. Em 2011 conheci um aluno
do primeiro ano do ensino médio que referiu ter síndrome de leitura e me
interessei para conhecer mais a respeito. Fiz um curso de capacitação em “Dislexia
de Leitura“ e tive conhecimento sobre os testes para avaliar a Síndrome de
Irlen, conforme o protocolo da Dra. Helen Irlen. O curso nos coloca em posição
de screeners, isto é, podemos avaliar usando os conhecimentos que o curso nos
fornece e o material é adquirido diretamente da Dra. Helen Irlen, que tem a
patente registrada. Esses materiais são solicitados no Hospital de Olhos Dr.
Ricardo Guimarães, em Belo Horizonte, MG - onde o curso é realizado. É um
tratamento ainda novo no Brasil e que promete ser a esperança de uma vida
melhor para pessoas portadoras de dislexia visual, problema que atinge um em
cada oito brasileiros e que acarreta uma série de dificuldades relacionadas à
manutenção da atenção, compreensão, memorização e à atividade ocular durante a
leitura, além de déficit de aprendizado.
As pessoas com dislexia visual em
geral apresentam intolerância à luz, principalmente à luz branca, fluorescente
e faróis. Na leitura as páginas brancas ficam ofuscantes. Esse incômodo faz com
que o processamento cerebral das informações, que chegam pela visão, se
apresente de modo distorcido, o que cria desconforto, dores de cabeça,
irritabilidade, frustração, insônia, distração, falta de visão em profundidade
e de habilidade para detectar a distância correta entre um objeto e outro, como
degraus, escadas rolantes, na prática de esportes e até para dirigir veículos.
Os alunos também enfrentam dificuldade em copiar e transcrever palavras do
quadro para o caderno, do livro para uma folha de respostas e a velocidade de
leitura também fica prejudicada.
Para resolver o problema das
distorções e do desconforto à luz, o Método Irlen detecta quais comprimentos
específicos da luz visível devem ser bloqueados ou neutralizados. E após os
testes a pessoa portadora da síndrome usa os filtros selecionados sempre que
for ler. Os efeitos são imediatos e progressivos. Além dos filtros, também pode
ser usados lentes, porem este procedimento só é feito no Hospital de Olhos Dr.
Ricardo Guimarães. Foi através de meu aluno que utiliza estas lentes que pude
conhecer este método que auxilia a normalizar a atividade visual, o conforto e
a qualidade de vida aos portadores desta síndrome, melhorando
significativamente seu nível de leitura e compreensão.
O curso é presencial e ocorre no
Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, em Belo Horizonte, MG. A rede de
ensino deste estado tem recebido suporte e capacitação dos profissionais sobre
a síndrome de Irlen, através do projeto Bom
Começo, premiado, em função de sua importância para o Brasil e aprovado pela
prefeitura de várias cidades de Minas Gerais. É um curso que capacita a ser o
que eles designam como screener. Recebemos no curso o material que possibilita
aplicar os testes e detectar se a pessoa é ou não portadora desta síndrome, e
caso positivo, são indicados o uso filtros específicos que são importados através
do próprio Hospital em Minas Gerais. Vale a pena conhecer. Quando fiz o curso
encontrei muitos profissionais de outros estados e inclusive de outros países
que vão até Minas Gerais para participar e conhecer o método.
Maria José Ferreira
Batista
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