07 novembro, 2012


DISLEXIA DE LEITURA NOSSA DES-CONHECIDA

Sou professora de Filosofia no Ensino Médio e em minha experiência no magistério tenho encontrado diversos alunos com dificuldades no campo da leitura e interpretação.  Tenho a preocupação de como mediar o conhecimento com alunos que apresentam esta dificuldade ou resistência, pois referem que não gostam ou não compreendem o que leem. Em 2011 conheci um aluno do primeiro ano do ensino médio que referiu ter síndrome de leitura e me interessei para conhecer mais a respeito. Fiz um curso de capacitação em “Dislexia de Leitura“ e tive conhecimento sobre os testes para avaliar a Síndrome de Irlen, conforme o protocolo da Dra. Helen Irlen. O curso nos coloca em posição de screeners, isto é, podemos avaliar usando os conhecimentos que o curso nos fornece e o material é adquirido diretamente da Dra. Helen Irlen, que tem a patente registrada. Esses materiais são solicitados no Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, em Belo Horizonte, MG - onde o curso é realizado. É um tratamento ainda novo no Brasil e que promete ser a esperança de uma vida melhor para pessoas portadoras de dislexia visual, problema que atinge um em cada oito brasileiros e que acarreta uma série de dificuldades relacionadas à manutenção da atenção, compreensão, memorização e à atividade ocular durante a leitura, além de déficit de aprendizado.

As pessoas com dislexia visual em geral apresentam intolerância à luz, principalmente à luz branca, fluorescente e faróis. Na leitura as páginas brancas ficam ofuscantes. Esse incômodo faz com que o processamento cerebral das informações, que chegam pela visão, se apresente de modo distorcido, o que cria desconforto, dores de cabeça, irritabilidade, frustração, insônia, distração, falta de visão em profundidade e de habilidade para detectar a distância correta entre um objeto e outro, como degraus, escadas rolantes, na prática de esportes e até para dirigir veículos. Os alunos também enfrentam dificuldade em copiar e transcrever palavras do quadro para o caderno, do livro para uma folha de respostas e a velocidade de leitura também fica prejudicada.

Para resolver o problema das distorções e do desconforto à luz, o Método Irlen detecta quais comprimentos específicos da luz visível devem ser bloqueados ou neutralizados. E após os testes a pessoa portadora da síndrome usa os filtros selecionados sempre que for ler. Os efeitos são imediatos e progressivos. Além dos filtros, também pode ser usados lentes, porem este procedimento só é feito no Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães. Foi através de meu aluno que utiliza estas lentes que pude conhecer este método que auxilia a normalizar a atividade visual, o conforto e a qualidade de vida aos portadores desta síndrome, melhorando significativamente seu nível de leitura e compreensão.

O curso é presencial e ocorre no Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, em Belo Horizonte, MG. A rede de ensino deste estado tem recebido suporte e capacitação dos profissionais sobre a síndrome de Irlen,  através do projeto Bom Começo, premiado, em função de sua importância para o Brasil e aprovado pela prefeitura de várias cidades de Minas Gerais. É um curso que capacita a ser o que eles designam como screener. Recebemos no curso o material que possibilita aplicar os testes e detectar se a pessoa é ou não portadora desta síndrome, e caso positivo, são indicados o uso filtros específicos que são importados através do próprio Hospital em Minas Gerais. Vale a pena conhecer. Quando fiz o curso encontrei muitos profissionais de outros estados e inclusive de outros países que vão até Minas Gerais para participar e conhecer o método.

Maria José Ferreira Batista

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